Iniciou meu inverno. Como os que conhecia antigamente. Uma paisagem cinza, com folhas e galhos secos. A vida já se recolhe, juntando energia para retomar sua força. A floresta já não tem cor. O chão marrom, coberto de folhas sem vida e galhos quebrados, se revira com o vento cortante como uma espada.
Se faz inverno dentro e fora de mim.
A fogueira se mantém acesa como um sinal de que a chama nunca apaga e, mesmo no inverno, temos onde buscar luz e calor. Uma força que vem de mãos cansadas que se revesam mantendo a chama acesa para que pelo menos o coração se mantenha aquecido. A chama na floresta e a chama do coração.
As músicas já são mais pesadas mesmo que queiramos manter a alegria do verão, ela sai como um esforço de manter a lembrança acesa. Assim como o verão dentro de mim. Só uma lembrança.
As roupas são pesadas, o eu é pesado, o frio é pesado. O inverno pesa dentro e fora. Os dias são curtos, escuros e ainda assim, por todo lado, existem chamas para aquecer e iluminar. E não nos deixar esquecer que o verão acaba mas também o inverno.
É um grande emaranhado de pequenos eus que se ajudam e se apoiam para que o inverno não doa tanto dentro e fora de mim.

A comida é condimentada como uma maneira de colocar um pouco de fogo dentro de nós porque o ar gelado é soberano nessa época e tudo fugaz, intangível e imaterial. Sinto o frio do inverno agora. Dentro e fora de mim.
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