
Gosto de ficar com a cara colada no vidro em dias de chuva. Observo as gotas escorrendo pela janela e penso porquê o céu está tão triste. É como se ele estivesse sentindo uma dor cinza, sufocada dentro de si, que não consegue explicar e transborda em forma de chuva.
Às vezes, sinto-me como o céu: nublado, sem sol, e me calo como se quisesse passar despercebida. Em outros dias, uma tempestade se agita dentro de mim, com raios no olhar e trovão na boca. Passo pelo dia como se quisesse desordenar tudo, mas o que realmente desejo nesses momentos é que a nuvem que se alojou em meu ser se dissipe. Contudo, quando a tempestade se instala, muitas vezes é uma espera longa; são dias desafiadores, em que até aqueles ao meu redor também sentem o peso das gotas.
Então, quando parece que o temporal nunca mais vai passar, os raios se aquietam, o trovão perde a força e o vento diminui sua fúria. Fica apenas uma garoa delicada e persistente, que de tempos em tempos surge para limpar o coração.
Depois de perceber que não há mais chuva e que minhas forças estão esgotadas, uma sutil esperança começa a dissipar as nuvens cinzentas, trazendo um sorriso tímido que se revela aqui e ali.
À medida que o frio vai se amenizando, os raios de sol tornam-se mais intensos, revelando o que estava escondido no céu do meu coração. Mesmo que ainda apareça uma nuvem, na maioria das vezes, apenas cobrem um pouquinho do sol, lembrando-me que mesmo os dias nublados passam.
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