É como se a gente quisesse não saber. Mas a gente sabe. A gente consegue ver acontecer, mesmo que finja que não. É o amanhã se construindo com um monte de agoras. E mesmo fingindo não saber, a gente mesmo vai construindo. Caminhando a passos trêmulos, lentos, receosos, seguimos na direção. Parece que nada está acontecendo, mas pouco a pouco, tudo muda. Uma decisão nunca é de repente. Ela vai chegando, tomando forma, crescendo. Um pouco a cada dia. Um pouco a cada ausência. Um pouco a cada desejo. Um pouco a cada palavra não dita. Um pouco a cada gesto esquecido. Até quando fingimos querer ir, sabemos que fazemos de tudo para permanecer, se escondendo atrás do que insistimos ser impossível de combater. Talvez porque seja triste assumir que a gente simplesmente não quer ir. Porque, quando a vontade é muita, a coragem, mesmo pouca, vem. Fraca, tímida, improvável, mas ela está, ainda que minúscula, em vantagem. Olhando mais para frente do que para trás. A dor da partida já não é maior que a possibilidade da chegada. No fundo, é bem simples saber. Se há dúvida, não há dúvida. Pode haver medo, insegurança, incerteza. Mas dúvida, nunca.

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